01/07/2009
Lula, o PT e a estabilização da
economia
Por Cândido Vaccarezza*
A história recente do Brasil divide-se em dois períodos distintos. Nos
anos 90, a década perdida de Fernando Collor a Fernando Henrique
Cardoso, que se notabilizaram pela fúria privatizante neoliberal, pela
insistência na desqualificação do papel do Estado, pela subserviência
aos grandes centros do capitalismo internacional.
A partir de 2003, com o mandato do
presidente Lula, nossa política econômica, nossa visão do Estado, do
mercado, nossas política sociais e externa permitiram que se abrisse um
novo período histórico.
Quando Lula assumiu a Presidência da
República, a estabilidade da economia e o poder de compra da moeda
estavam por um fio. Foi a política econômica do governo de Lula e do PT
que salvou o Real da ruína e deu o salto de qualidade de que o País
precisava.
Libertamo-nos do endividamento
externo e da dependência do FMI; a dívida pública caiu de 56% para 36%
do Produto Interno Bruto; ampliamos o comércio exterior e as reservas
monetárias do País; investimos na criação de um forte mercado interno.
O novo modelo econômico -
significativamente diferente da gestão tucana - garantiu ao País
condições de atravessar a crise mundial com mais vigor. O crescimento
econômico, com distribuição de renda e criação de empregos, permitiu a
redução na vulnerabilidade do Brasil e tirou milhões de pessoas da
miséria, promovendo a inclusão e a cidadania.
Apesar de todo o trabalho dos últimos
seis anos, os tucanos insistem em propagar uma lenda segundo a qual o
governo FHC estabilizou a economia brasileira. Nada mais falso. Essa
lenda, como toda lenda, não resiste à análise dos fatos.
Inflação - A inflação de 2002,
último ano da era FHC, chegou a 12,5%. Isto está longe de ser uma
inflação civilizada. No dia da posse de Lula, as reservas cambiais do
Brasil eram de 30 bilhões de dólares. Mas eram falsas, tratava-se de
dinheiro alugado ao Fundo Monetário Internacional. Mais tarde, o
presidente Lula devolveria estes recursos ao FMI. Hoje, as reservas
cambiais do País estão em torno de 205 bilhões de dólares e somos
credores do FMI.
No dia da posse de Lula, o valor do
dólar aproximava-se dos R$ 4 e o risco-país beirava os 2.400 pontos.
Hoje, o dólar vale R$ 2 e o risco-país gira em torno dos 240 pontos. No
dia 1º de janeiro de 2003, a taxa básica de juros, a Selic, era de 25%;
hoje ela é de 9,25%, a mais baixa da série histórica dos últimos 20
anos.
Os tucanos gostam de dizer que
introduziram o câmbio flutuante. É mentira. A política do PSDB era uma
política insustentável de câmbio administrado, o chamado “populismo
cambial”, feliz expressão cunhada pelo tucano Bresser Pereira. Em
janeiro de 1999, o mercado impôs a FHC a política de câmbio flutuante,
apesar de o governo ter tentado um sistema de bandas de variações, na
base do “Deus nos acuda”.
A desvalorização do Real naquele
momento foi imposta, mas não precisava ser vazada; como foi, pelo menos
no entendimento da Justiça, que, em primeira instância, condenou o então
presidente do Banco Central Francisco Lopes a dez anos de prisão pelo
socorro ao banco Marka, de Salvatore Cacciola, atualmente cumprindo pena
numa penitenciária do Rio de Janeiro, depois de ser extraditado de
Mônaco.
Os fatos demonstram que, na verdade,
em 2003 a economia brasileira nada tinha de estável. Pelo contrário, ela
tangenciava a catástrofe. E o governo FHC pedia socorro ao FMI. Os fatos
mostram de forma cabal que a estabilidade da economia foi uma conquista
do governo Lula. Esta é a verdade. O resto é lenda.
*Cândido Vaccarezza é líder do PT na Câmara dos Deputados.