01/10/2009
O que é bom para o Lula, é ruim
para o Brasil?
Por Emir Sader*
A mídia mercantil (melhor do
que privada) tem um critério: O que for bom para o Lula, deve ser
propagado como ruim para o Brasil. A reunião de mandatários
sul-americanos em Bariloche – que o povo brasileiro não pôde ver, salvo
pela Telesul, e teve que aceitar as versões da mídia – foi julgada não
na perspectiva de um acordo de paz para a região, mas na ótica de se o
Lula saiu fortalecido ou não.
O golpe militar e a ditadura em
Honduras (chamados de “governo de fato”, expressão similar à de “ditabranda”)
são julgados na ótica não de se ação brasileira favorece o que a
comunidade internacional unanimemente pede – o retorno do presidente
eleito, Mel Zelaya -, mas de saber se o governo brasileiro e Lula se
fortalecem ou não. Danem-se a democracia e o povo hondurenho.
A mesma atitude tem essa mídia
comercial e venal diante da possibilidade de o Brasil sediar as
Olimpíadas. Primeiro, tentaram ridicularizar a proposta brasileira, a
audácia destes terceiromundistas de concorrer com Tóquio, com Madri, com
Chicago de Obama e Michelle. Depois passaram a centrar as matérias nas
supostas irregularidades que se cometeriam com os recursos, quando viram
– mesmo sem destacar nos seus noticiários – que o Rio tinha passado de
azarão e um dos favoritos, graças à excelente apresentação da proposta e
ao apoio total do governo. Agora se preparam para, caso o Rio de Janeiro
não seja escolhido, anunciar que se gastou muito dinheiro, se viajou
muito, para nada. Torcem por Chicago ou outra sede qualquer, que não o
Rio, porque acreditam que seria uma vitória de Lula, não do Brasil.
São pequenos, mesquinhos, só vêem
pela frente as eleições do ano que vem, quando tentarão ter de novo um
governo com que voltarão a ter as relações promíscuas que sempre tiveram
com os governos, especialmente com os 8 anos de FHC. Não existe o
Brasil, só os interesses menores, de que fazem parte as 4 famílias –
Frias, Marinho, Civitas, Mesquita – que pretendem falar em nome do povo
brasileiro.
O povo brasileiro vive melhor com as
políticas sociais do governo Lula? Danem-se as condições de vida do
povo. Interessa a popularidade que isso dá ao governo Lula e as
dificuldades que representa para uma eventual vitória da oposição. A
imagem do Brasil no exterior nunca foi melhor? A mídia ranzinza e
agourenta não reflete isso, porque representa também a extraordinária
imagem de Lula pelo mundo afora, em contraposição à de FHC, e isto é bom
para o Brasil, mas ruim para a oposição.
O que querem para o Brasil? Um Estado
fraco, frágil diante das investidas do capital especulativo
internacional, que provocou três crises no governo FHC? Um país sem
defesa ou dependente do armamento norte-americano, como ocorreu sempre?
Menos gastos sociais e menos impostos para ter menos políticas sociais e
menos direitos do povo atendidos? Um povo sem auto estima, envergonhado
de viver em um país que eles pintam como um país fracassado, com
complexo de inferioridade diante das “potências”, que provocaram a maior
crise econômica mundial em 80 anos, que é superada pelos países
emergentes, enquanto eles seguem na recessão?
São expressões das elites brancas,
ricas, de setores da classe média alta egoísta, que odeia o povo e o
Brasil e odeia Lula por isso. Adoram quem se opõem a Lula – Heloísa
Helena, Marina, Micheletti -, não importa o que digam e representem. Sua
obsessão é derrotar Lula nas eleições de 2010. O resto, que se dane: O
povo brasileiro, o país, a situação de vida da população pobre, da
imagem do país no mundo, da economia e do desenvolvimento econômico do
Brasil.
O que é bom para o Lula é ruim para
eles e tentam fazer passar que é ruim para o Brasil. É ruim para eles,
as minorias, os 5% de rejeição do governo, mas é muito bom para os 82%
de apoio ao Lula.
*Emir Sader é jornalista.