03/07/2009
Lula e o Prêmio pela Paz
Por Erika Kokay*
A Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e
Cultura) premiará, no próximo dia 7 de julho, em Paris, na França, o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, vencedor da edição de 2008 do
Prêmio pela Paz Félix Houphouët-Boigny.
Segundo a Unesco, foi o escolhido
pelo júri "por suas ações em busca da paz, diálogo, democracia, justiça
social, igualdade de direitos, assim como por sua contribuição para a
erradicação da pobreza e proteção das minorias". O prêmio, criado em
1989 e que leva o nome do ex-deputado marfinense na França e depois
presidente da Costa do Marfim, é concedido todos os anos a pessoas,
organizações e instituições que contribuíram de modo significativo para
a promoção, preservação ou manutenção da paz. Entre os vencedores de
outras edições estão Nelson Mandela, Yitzhak Rabin, Shimon Peres, Yasser
Arafat, o rei Juan Carlos da Espanha e o ex-presidente dos EUA Jimmy
Carter.
Essa premiação é mais que justa, pois
reconhece não só a liderança internacional do presidente Lula, no
diálogo com as nações do mundo pobre e em desenvolvimento e propostas
junto ao mundo desenvolvido para o enfrentamento da pobreza e da fome no
mundo, mas, sobretudo, pelas transformações ocorridas no Brasil, desde a
sua posse como Presidente da República, em 2003.
Essas transformações, econômicas,
sociais e políticas, ocorreram com participação social, desde a
prioridade em desenvolver o país com distribuição de renda até o combate
às desigualdades e discriminações, seja de renda, região, cor, raça,
etnia, gênero, orientação sexual, idade, deficiência, religião ou
convicção ideológica.
No início do seu governo,
explicitando o seu compromisso com os direitos das minorias criou, junto
à Presidência da República, as Secretarias Especiais de Direitos
Humanos, Políticas para as Mulheres e de Políticas de Promoção da
Igualdade Racial, além de criar o Programa Fome Zero, um conjunto de
ações governamentais e não governamentais voltadas para o combate à fome
no Brasil. Foi no seu governo, a aprovação do Estatuto do Idoso e da Lei
Maria da Penha.
Ao lado da garantia do equilíbrio
macroeconômico, da política externa cooperativa e soberana, da ampliação
dos empregos com carteira assinada e do aumento real do salário mínimo,
as políticas sociais adotadas constituem legado republicano do Governo
Lula, com efeitos positivos não só no presente, mas no futuro da Nação.
A criação, em 2003, do Programa Bolsa
Família mostrou o compromisso social com os excluídos, combatendo a
pobreza, a fome e a evasão escolar de crianças e adolescentes. Hoje, são
12 milhões de famílias atendidas em todos os municípios e, até o final
deste ano, serão mais 1,3 milhões de famílias beneficiadas em todo o
país.
A implantação, em 2005, do Sistema
Único de Assistência Social (SUAS) transformou a Assistência Social em
política pública continuada e garantidora de direitos da cidadania. A
Política de Segurança Alimentar e Nutricional garantiu à população
brasileira a alimentação como direito fundamental.
Na educação, a criação do Fundeb
(Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização
dos Profissionais da Educação), ampliou o apoio à educação para além do
ensino fundamental, financiando também o ensino infantil e o ensino
médio. Além disso, criou o Prouni, garantindo o ingresso gratuito de
jovens pobres no ensino superior e aprovou o Piso Salarial Nacional dos
Professores, valorizando a categoria em todo o território nacional.
Na saúde, fortaleceu o Sistema Único
de Saúde (SUS), com mais investimentos federais junto a estados e
municípios, criando e ampliando programas de atenção básica à saúde,
como, entre outros, o Saúde da Família, as Farmácias Populares, o
Sistema de Atendimento Médico de Urgência (SAMU).
No campo, ampliou o financiamento da
agricultura familiar através do Pronaf, que saltou de pouco mais de R$ 2
bilhões, na safra 2002-2003, para R$ 13 bilhões, na safra 2008-2009. Os
programas Luz para Todos, Assentamento de Trabalhadores Rurais,
Construção de Cisternas no Semi-Árido e Aquisição de Alimentos (PAA),
juntamente com os programas sociais, alteraram o panorama rural
brasileiro, melhorando a qualidade de vida da população do campo.
Na economia, em articulação com os
estado, municípios e o Distrito Federal, sem qualquer tipo de
discriminação política ou regional, o Governo Lula lançou o PAC
(Programa de Aceleração do Crescimento), retomando os investimentos
públicos geradores de emprego. Na habitação, o governo federal acaba de
lançar o Programa Minha Casa, Minha Vida, que garantirá o financiamento
de 1 milhão de casas para a população de baixa renda no país.
Nestes quase sete anos de Governo
Lula, o Brasil reduziu as desigualdades e a pobreza e está vencendo a
guerra contra a fome. Temos mais democracia e mais justiça social. O
Brasil é mais respeitado entre os povos do mundo. O Brasil mudou.
Assim, o presidente Lula, o primeiro
presidente operário eleito na história do País, do Partido dos
Trabalhadores, com a sua credibilidade junto à população brasileira e a
sua respeitabilidade mundial, é plenamente merecedor do Prêmio pela Paz,
da Unesco, o que enche de orgulho todos nós da Nação Brasileira, orgulho
de mulheres, homens, de todas as idades, cores, regiões e de todas as
tribos do Brasil.
Nesse sentido, propusemos e foi
aprovada pela Câmara Legislativa do Distrito Federal Moção de Louvor ao
Presidente Lula, na certeza de estar expressando o sentimento de
reconhecimento e orgulho da população de Brasília, capital do Brasil.
*Erika Kokay, deputada distrital, líder da Bancada do PT na
Câmara Legislativa do DF