03/03/2010
Com Dilma em alta, Veja e Folha
perdem a paciência com Serra
Por André Cintra*
O descontentamento toma o texto de matérias secundárias e vai até centro
das colunas políticas. No site da revista Veja —, quem dá o tom das
preocupações é o serrista de carteirinha Reinaldo Azevedo. O blogueiro
descreve o desempenho de Dilma nas pesquisas como “resultado óbvio”.
Conforme suas palavras, “até que Serra não lance a sua candidatura, se é
que vai lançar, não existe, para ele, um “bom momento” para pesquisas —
no caso de Dilma, todos são bons”.
Mas as inúteis relativizações de
Azevedo param nesse ponto. Ele dá sinais de preocupações, pede mais
“juízo” dos tucanos e arremata, em tom de cobrança: “Ou bem o PSDB de dá
conta do tamanho do desafio, ou bem se prepara desde já para continuar
na oposição — ou sei lá que outros cenários certos tucanos imaginam que
se seguiriam a uma eventual vitória de Dilma”.
O blogueiro também dá um pito no
governador mineiro, Aécio Neves: “Os tucanos têm de atuar com força
máxima no Sudeste — assim como é e será máxima a força de Dilma no
Nordeste. E a força máxima tem uma só tradução, repita-se: São Paulo e
Minas estarem efetivamente unidos para tentar vencer a disputa. Estarão?
Se estiverem, muito bem; isso significará jogar para ganhar; se não
estiverem, trata-se de um compromisso com a derrota.”
No próprio site da Veja, entretanto,
o também colunista Lauro Jardim registra que Aécio pouco se importou
para o Datafolha. “Ajudo mais o Serra como candidato ao Senado. Imagina
se eu deixar de acompanhar o (Antonio) Anastasia durante a campanha em
todo o interior mineiro? No início, irão dez prefeitos acompanhá-lo,
depois cinco, depois um. É preciso que eu esteja lá para comandar, olhar
olho no olho, puxar a campanha. E isso vai ajudar o Serra mais do que
alguns supõem”, opinou o governador de Minas Gerais.
“Águas de março” - Os
jornalistas da Folha de S.Paulo também correram a clamar ou pela
antecipação do anúncio da candidatura de Serra ou pelo recuo de Aécio.
Para o colunista Fernando de Barros e Silva, a tática de Serra ajudou a
transformar na “favorita da disputa”, e o PSDB precisa se revirar. “Não
há dúvida de que Aécio agora será muito pressionado pelos tucanos. Mas
quem precisa dizer a que veio antes que as águas de março fechem o verão
é o governador de São Paulo.”
Já o jornalista-blogueiro Josias de
Sousa transferiu o apelo aos apoiadores, ao dizer, em manchete, que
“aliados cobram de Serra ao menos uma ‘sinalização’”. De acordo com
Josias, “o grão-tucanato reagiu à última pesquisa Datafolha de duas
maneiras. Em público, considerou ‘natural’ a ascensão de Dilma,
atribuída à superexposição. Em privado, concluiu que a subida da
candidata de Lula pede ‘reação’. Na noite passada, um dirigente tucano
disse ao blog: ‘Precisamos de fatos novos’”.
Os fatos novos seriam “uma rápida
manifestação de Serra assumindo-se claramente como candidato” e o
“convencimento de Aécio para compor a chapa como vice” — dois cenários
improváveis. É por isso que, segundo Josias, o presidenciável tucano
sofrerá uma onda de pressões. “Nos próximos dias, lideranças do PSDB e
do DEM cobrarão de Serra pelo menos uma declaração pública assumindo-se
como candidato ao Planalto.”
O texto mais revelador mesmo é o da
repórter Cátia Seabra, publicado nesta segunda-feira (1º) pela Folha.
“Vendo em Serra sua única chance de vitória, o comando do PSDB espera
que o governador avise logo que é candidato (...). Mas, a um mês do
prazo fatal para o anúncio de sua candidatura, Serra expõe a aliados
angústia acerca de sua decisão”.
Ainda segundo a Folha, “ao mesmo
tempo em que atua como candidato — patrocinando alianças estaduais e
avalizando a montagem de uma estrutura de pré-campanha —, consulta
conselheiros sobre a conveniência de abrir mão das chances de reeleição
para concorrer à Presidência. De um colaborador, ouviu que é preferível
tentar a reeleição”.
*André Cintra é jornalista, escreve no Portal Vermelho