05/03/2010
8 de março: 100 anos de Historia de
Luta pela Igualdade
Por Abgail Pereira*
Nos 100 anos desde a instituição desta data, muitas lutas e muitas
histórias como as que lhe deram origem se sucederam em todo o mundo.
Gerações de mulheres combateram a opressão capitalista e a discriminação
de gênero, muitas vezes sob as mais violentas formas de repressão,
obtendo conquistas de grande vulto, que mudaram radicalmente o papel
desempenhado pela mulher na sociedade na busca da superação dos
conceitos históricos de inferioridade e submissão ao homem, ao mesmo
tempo em que abriram caminho para a compreensão das causas da opressão
de gênero.
No Brasil, as mulheres têm uma
trajetória não menos vitoriosa. Conquistaram o direito ao voto, estão no
mercado de trabalho, lutaram pela democracia nos longos anos da ditadura
militar, lutaram pelos direitos humanos, combateram a violência de
gênero, o desemprego e a precarização do modelo neoliberal. Foram às
ruas e às urnas exigir a igualdade na lei e na vida.
Neste trajeto, inúmeras conquistas
foram alcançadas, com destaques para a ampliação da licença maternidade,
a proibição da discriminação sexual no trabalho, o direito a posse da
terra em nome da mulher rural, a lei Maria da Penha para fazer frente à
violência doméstica, e a reforma no Código Civil, para citar as de maior
impacto.
No entanto, apesar do crescimento da
inserção no mercado de trabalho e a elevação do nível de escolaridade, a
desigualdade salarial, a dupla jornada, o assédio moral e sexual e a
violência e opressão ainda são fatores marcantes na vida das mulheres,
demonstrando a necessidade de crescer na organização e mobilização para
continuar a luta contra a discriminação de gênero e de classe.
A Secretaria da Mulher da CTB marcará
os 100 anos do Dia Internacional da Mulher com a divulgação da Campanha
aprovada no 2º Congresso da Central, que contempla as principais
reivindicações das trabalhadoras: Igualdade Salarial e de Oportunidades,
Creches Públicas, a Licença Maternidade de 180 dias para todas as
trabalhadoras, obrigatória e não facultativa bem como a aplicação
imediata da Lei Maria da Penha e do Plano Nacional de Direitos Humanos,
como instrumentos de combate à violência contra a mulher. Ao mesmo
tempo, mobilizará as trabalhadoras para a luta em defesa da Redução da
Jornada de Trabalho, da Reforma Agrária e do Fim do Fator
Previdenciário.
Merece destaque o fato de que o Dia
Internacional da Mulher, proposto por Clara Zetkin, em 1910, foi
instituído dentro da perspectiva da luta pela construção do socialismo.
Hoje, passados cem anos, essa perspectiva continua viva, no coração e
nas mentes das mulheres que buscam a igualdade. Por isso, também
mobilizaremos as trabalhadoras, para que nas eleições gerais deste ano
se posicionem firmemente em defesa da continuidade das mudanças, na
busca de um projeto de desenvolvimento nacional que tenha como
perspectiva a consolidação da democracia, impedindo qualquer tentativa
de retrocesso neoliberal da direita.
Queremos seguir, juntos, a luta de
homens e mulheres que combatem o sistema capitalista e buscam a
construção de um novo modelo econômico, político e social, um mundo sem
fome, sem miséria, sem excluídos, sem opressão, porque temos a firme
convicção de que a perspectiva da igualdade social é a principal luta do
Movimento Emancipacionista Feminino!
VIVA 8 DE MARÇO E AS MULHERES DE TODAS AS GERAÇÕES NA LUTA POR UM
NOVO MUNDO DE IGUALDADE!
*Abgail Pereira é Secretaria da Mulher CTB