09/07/2009
Os reconhecimentos a FHC
Por
Emir Sader*
Que cada um expresse aqui o reconhecimento que FHC pede.
Felizmente para a oposição, FHC não
se contêm, não consegue recolher-se ao fim de carreira intelectual e
política melancólicos que ele merece. E cada vez que fala, o apoio ao
governo e a Lula aumentam.
Agora reaparece para reclamar que não
se lhe dá os reconhecimentos que ele julga merecer. Carente de apoio
popular, ele vai receber aqui os reconhecimentos que conquistou.
Em primeiro lugar, o reconhecimento
das elites dominantes brasileiras por ter usado sua imagem para
implementar o neoliberalismo no Brasil. Por ter afirmado que ia “virar a
página do getulismo”. Por ter, do alto da sua suposta sapiência, dito a
milhões de brasileiros que eles são “inimpregáveis”, que ele assim não
governava para eles, que não tinham lugar no país que o tinha elegido e
para quem ele governava.
O reconhecimento por ter dito que “A
globalização é o novo Renascimento da humanidade”, embasbacado,
deslumbrado com o neoliberalismo.
O reconhecimento por ter quebrado o
país por três vezes, elevado a taxa de juros a 48%, assinado cartas de
intenção com o FMI, que consolidaram a subordinação do Brasil ao capital
financeiro internacional.
O reconhecimento dos EUA por ter
feito o Brasil ser completado subordinado às políticas de Washington,
por ter preparado o caminho para a Alca, para o grande Tratado de Livre
Comércio, que queria reduzir o continente a um imenso shopping Center.
O reconhecimento a FHC por ter
promovido a mais prolongada recessão que o Brasil enfrentou.
O reconhecimento a FHC por ter
desmontado o Estado brasileiro, tanto quanto ele pôde. Privatizou tudo o
que pôde. Entregou para os grandes capitais privados a Vale do Rio Doce
e outros grandes patrimônios do povo brasileiro. Por isso ele é adorado
pelas elites antinacionais, por isso montaram uma fundação para ele
exercer seu narcisismo, nos jardins de São Paulo, chiquérrimo, com o
dinheiro que puderam ganhar das negociatas propiciadas pelo governo FHC.
FHC será sempre reconhecido pelo povo
brasileiro, que tem nele a melhor expressão do anti-Brasil, de tudo o
que o povo detesta, ele serve para que se tome consciência clara do que
o povo não quer, do que o Brasil não deve ser.
*Emir Sader é jornalista, professor da Faculdade de Filosofia,
Letras e Ciências Humanas da USP e coordenador do Laboratório de
Políticas Públicas da UERJ.