01/07/2008
Este é o
primeiro de uma série de oito boletins que foram
produzidos pelo Núcleo de Estudos Sociopolíticos da Arquidiocese de
Belo Horizonte em parceria com o Programa de Pós-graduação em
Ciências da Religião da PUC de Minas Gerais.
Leia e divulgue!
Pode ser reproduzido e publicado livremente, desde que citada a
fonte.
Silvestre dos Santos Lima
Comissão de Comunicação do CNLB
PROJETO ELEIÇÕES 2008
BOLETIM no. 1
FÉ E POLÍTICA: Uma Missão Possível
Você está recebendo o primeiro de uma
série de oito boletins que foram produzidos pelo Núcleo de Estudos
Sociopolíticos da Arquidiocese de Belo Horizonte em parceria com o
Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião da PUC de Minas
Gerais. A Igreja acredita que a participação de eleitores bem informados
contribuirá para que as eleições municipais deste ano sejam um passo
importante na construção de uma sociedade mais justa, mais pacífica e
mais harmoniosa.
Muita gente diz: “votar pra quê? A
gente vota, muda prefeito, muda vereador, mas parece que pouca coisa
muda... Veja só: no meu bairro a Prefeitura construiu um centro de saúde
todo bonito, mas até hoje praticamente não tem médico atendendo. Só
funciona pra vacinação e olhe lá... Já reclamamos com um vereador que se
diz representante do bairro, mas ele só dá desculpa esfarrapada... Eu
voto porque é obrigatório...” Essas pessoas desanimam da política quando
vêem coisas mal feitas. Mas nós não desanimamos! Ao contrário: o que
estiver ruim, pode ser consertado; o que estiver bom, pode ficar ainda
melhor!
Este boletim foi escrito por pessoas
que vêem a política como uma “forma sublime de praticar o amor ao
próximo” e que estudam a fundo nossa realidade, buscando caminhos para
melhorar nossa sociedade. Queremos partilhar com você os resultados do
nosso trabalho, porque estamos convencidos de que a participação
consciente do maior número possível de cidadãos é o caminho mais eficaz
para construir em nosso País uma verdadeira Democracia: política,
social, cultural, étnica e econômica.
POLÍTICAS PÚBLICAS
Vamos começar falando da participação
da sociedade na definição das políticas públicas. Sua história
começa há quase 800 anos. Isto mesmo: em 1215, quando os nobres da
Inglaterra se revoltaram contra os altos impostos cobrados pelo rei.
Para conter a revolta, o rei assinou a Magna Carta que, entre outras
concessões de ordem jurídica (como o habeas corpus) e política
(submissão do rei às normas da lei), instituiu o controle dos impostos
por um Conselho de Barões. Até então, o poder do rei era absoluto:
obrigava seus súditos a pagarem impostos e usava o dinheiro arrecadado
como bem quisesse.
A partir daí, ele só poderia cobrar
impostos com autorização do Conselho que dizia em quê o dinheiro deveria
ser usado. Naquela época nem se pensava em participação democrática, do
povo todo. Somente os nobres tinham assento no Conselho do Reino. Mas
ali foi lançada a semente do Estado Constitucional moderno.
Surpreendente, é que muita gente até
hoje não entende que quem paga imposto tem direito a decidir sobre sua
utilização. Os barões ingleses entenderam isso muito bem, mas reservaram
esse direito para si. Só com muito tempo e muita luta política esse
direito foi-se estendendo até o povo. Este é um dos desafios do Estado
democrático: criar instrumentos que permitam a todo contribuinte decidir
sobre o destino de seus impostos. Esta é uma das mais antigas conquistas
da democracia: quem exerce o poder público (rei, presidente, ministro,
prefeito) não é dono dos recursos arrecadados, mas sim uma espécie de
gerente. Ele deve administrar a coisa pública, destinando os
recursos conforme o destino decidido pelos cidadãos e cidadãs.
Aqui chegamos
ao ponto-chave: todos pagamos impostos, queiramos ou não, porque os
impostos sobre o consumo, por exemplo, incidem sobre qualquer coisa que
se compre. Mas pouca gente, muito pouca gente, decide sobre o destino a
ser dado aos impostos, isto é em quê e como eles devem ser gastos.
Decidir sobre o destino que deve ser
dado aos recursos arrecadados pelos impostos é uma das principais
atribuições de quem faz política. Essa decisão cabe, em última
instância, às pessoas que nós mesmos escolhemos para, em nosso nome,
decidir sobre quanto gastar em qual área de interesse geral da
população. Em outras palavras, elegemos governantes e legisladores
para usarem o dinheiro dos impostos arrecadados em políticas públicas.
Todas as medidas e disposições
governamentais que atingem a sociedade, influenciando as condições de
existência dos cidadãos, são chamadas de políticas públicas. Elas
podem afetar os mais diversos setores da vida coletiva; por isso tratam
da política econômica, ambiental, previdenciária, industrial, de
segurança, de telecomunicações, tecnológica, prisional, cultural,
energética, de relações internacionais, educacional, de saúde, monetária
e outras. Algumas só podem ser definidas em âmbito federal (p.ex. defesa
nacional) ou estadual (p.ex. segurança pública), mas as mais próximas do
nosso dia-a-dia – as políticas sociais – ensino fundamental,
saúde, lazer, transporte urbanos, saneamento e abastecimento de água
etc., são definidas pelos poderes municipais. Daí a importância das
eleições deste ano: nelas escolheremos quem vai definir os rumos das
políticas públicas no município onde vivemos.
IMPORTÂNCIA DA PARTICIPAÇÃO
Ao produzir e distribuir este
boletim, a Igreja está convidando você e todas as pessoas de
boa-vontade, para unirmos nossas forças e, com entusiasmo e esperança,
influirmos positivamente nas eleições municipais deste ano. Não se trata
de indicar partido nem candidatos, mas sim de colaborar para a
construção de um município mais justo, harmonioso, pacífico e
ecologicamente equilibrado. Queremos assim realizar a vocação dos
discípulos e missionários de Jesus que se colocam a serviço do
Reino de Deus – e isso significa, em sua dimensão política, uma
sociedade conforme a promessa bíblica:
“Amor e fidelidade se encontram,
justiça e paz se abraçam. A fidelidade brotará da terra, e a justiça se
inclinará do Céu“ (Salmo 85 (84).”
Para aproveitar bem este material, de
modo a participar das próximas eleições não apenas como uma obrigação,
mas como uma contribuição consciente para melhorar o município,
sugerimos o seguinte:
• Leve este boletim e convide outras pessoas de seu
relacionamento para também lerem e juntos debaterem o tema proposto.
• Reflitam juntos sobre a relação entre o dever de pagar
imposto e o direito de votar.
• Se o grupo achar que foi proveitoso, marque nova reunião
dentro de um mês, para a leitura e o debate sobre o tema do próximo
boletim.
Folheto produzido
pelo Núcleo de Estudos Sociopolíticos da Arquidiocese de Belo Horizonte
em parceria com o Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião –
PUC Minas. Mais informações no site
www.pucminas.br/nesp, ou no
Vicariato para Ação Social e Política:(31)34224430