05/09/2008
Este é o sexto de uma série de oito boletins que foram
produzidos pelo Núcleo de Estudos Sociopolíticos da Arquidiocese de
Belo Horizonte em parceria com o Programa de Pós-graduação em
Ciências da Religião da PUC de Minas Gerais.
Leia e divulgue!
Pode ser reproduzido e publicado livremente, desde que citada a
fonte.
Silvestre dos Santos Lima
Comissão de Comunicação do CNLB
PROJETO ELEIÇÕES 2008
BOLETIM no. 6
A importância da Câmara de Vereadores
O funcionamento da Câmara de Vereadores
Desde fevereiro temos refletido sobre
a participação cidadã nas políticas públicas. Participação esta que tem
seu ponto mais visível no processo eleitoral, quando a população escolhe
aqueles que, em nome dela, irão definir, gerir e fiscalizar as políticas
públicas. Mas, nossa participação cidadã não termina no dia da eleição!
No boletim de maio, ao falarmos sobre
a divisão dos poderes como um dos pilares da democracia, dissemos que,
com freqüência, o povo espera do Executivo mais do que ele pode fazer;
entretanto, desconhece a importância do Legislativo. Essa concepção é
prejudicial à democracia porque a participação da sociedade junto ao
Poder Legislativo é indispensável no combate à corrupção. E essa
participação deve começar desde a sua base, isto é, nas câmaras
municipais.
Sabemos que a autonomia política do
município manifesta-se, dentre outras coisas, na eleição de Prefeito,
Vice-Prefeito e vereadores pelo voto secreto e direto dos cidadãos e
cidadãs. No entanto, pouca gente sabe o que fazem os vereadores e
vereadoras depois de empossados. Para esclarecer esse assunto, vejamos
qual é o seu trabalho na Câmara Municipal e como podemos acompanhá-lo.
As comissões da Câmara Municipal
A Câmara Municipal representa o Poder
Legislativo em âmbito local, tendo as funções de legislar e fiscalizar o
Poder Executivo. Por isso, os vereadores podem, por exemplo,
regulamentar o trabalho dos servidores municipais (mas não dos
trabalhadores da iniciativa privada, que é de competência federal);
podem estabelecer as normas para loteamentos e construções, desde que
não contrariem disposições das leis maiores. Já a sua função
fiscalizadora é exercida quando votam o orçamento municipal, examinam e
julgam as contas apresentadas pelo prefeito e acompanham a execução
orçamentária. Os vereadores têm, ainda, a incumbência de administrar a
Câmara Municipal.
Para realizar essas funções, os
vereadores elegem a Mesa Diretora e compõem as Comissões Permanentes -
órgãos técnicos constituídos por, no mínimo, três membros. As comissões
devem emitir pareceres sobre assuntos de sua competência específica,
realizar investigações e representar a Câmara. Cada município cria
comissões conforme a realidade local, mas duas não podem faltar: a de
Justiça (para analisar a fundamentação legal dos projetos de lei) e a de
Finanças (para fiscalizar e emitir pareceres sobre as contas do
Executivo). Em municípios maiores são freqüentes, também, comissões de
Educação, Saúde, Obras, Administração Pública, Defesa do Consumidor,
Meio Ambiente e Direitos Humanos.
Além de participarem das sessões
plenárias, os vereadores devem participar de pelo menos uma comissão
permanente. Ou seja, se estiverem dispostos a trabalhar, a Câmara
Municipal abrirá um grande leque de atividades possíveis. Mas, se não
quiserem cumprir seu mandato com responsabilidade, o que a população
poderá fazer? Quem fiscaliza os vereadores para saber se eles estão
mesmo trabalhando em favor da população? Para isso existem os Grupos
de Acompanhamento ao Legislativo.
Cidadão consciente fiscaliza o trabalho dos políticos
Em 1996 a Campanha da Fraternidade
teve como tema “Fraternidade e Política”, tendo suscitado muitas
reflexões e debates, como os que foram tratados nestes boletins mensais.
Um desses debates foi justamente sobre o acompanhamento do Poder
Legislativo desde a base municipal. A idéia foi apresentada por um
vereador em São Paulo cuja experiência o levou a concluir que só é
possível acabar com a corrupção se os políticos de conduta ética
receberem apoio externo, isto é, da sociedade civil, uma vez que
dificilmente o Poder Legislativo mudará apenas por iniciativa interna de
seus membros.
Em resposta a esse desafio, surgiram
em diversos municípios os Grupos de Acompanhamento ao Legislativo -
GAL. Seu objetivo é fiscalizar de forma permanente a atuação dos
vereadores na Câmara Municipal. O GAL respalda sua legitimidade no
próprio significado da democracia representativa: se os vereadores são
representantes do povo porque foram eleitos pelo voto popular, é direito
do povo acompanhar o que fazem seus representantes. Assim, é em nome dos
eleitores que atua o GAL. Veja como cabem aqui as palavras de Jesus a
Nicodemos:
”Quem pratica o
mal, tem ódio da Luz, e não se aproxima da luz, para que suas ações não
sejam desmascaradas. Mas, quem age conforme a verdade, se aproxima da
luz, para que suas ações sejam vistas, porque são feitas como Deus
quer.” (Jo 3, 20-21)
O GAL está aberto à participação de
qualquer pessoa que queira exercer a sua cidadania, sem restrição a
crenças religiosas ou ideário político. Mas o grupo enquanto tal não
pode ter vinculação com qualquer partido político.
Sua atuação assume formas bem
diversas, conforme a realidade municipal. Em geral, o GAL procura enviar
seus membros para ouvirem os discursos e observarem o comportamento dos
parlamentares nas sessões da Câmara. Também envia cartas aos vereadores
cobrando uma postura ética e, quando é o caso, manifesta apoio ao voto
em favor de projetos que beneficiem a população. Nos municípios onde
existe o GAL, logo começa a ser sentida a diferença nos trabalhos da
Câmara. Pelo lado interno, porque há um fortalecimento do trabalho de
parlamentares éticos, que também combatem a corrupção e o clientelismo;
pelo lado externo, porque ajuda os movimentos sociais locais a trazerem
para a Câmara suas reivindicações. Enfim, o GAL tem desempenhado com
êxito uma função educativa, colaborando para que se desenvolva uma nova
consciência política.
Concluindo... Ficar parado,
lamentando o que há de errado na política, não leva a nada. Ficar alheio
à política é fazer de conta que não se vê o que está presente em nosso
dia-a-dia. Se desejamos para as futuras gerações um mundo mais justo e
pacífico, não podemos deixar de agir permanentemente, ou seja, no nosso
dia-a-dia. A cada dois anos cumprimos o dever de votar, mas devemos
desde agora fazer política. Seja participando da campanha eleitoral para
eleger o candidato ou candidata em quem confiamos, seja participando de
um Grupo de Acompanhamento ao Legislativo. O primeiro passo para
isso é refletir:
• Você já assistiu a alguma sessão da
Câmara de Vereadores do seu município? Julga que, se houvesse membros do
GAL observando a sessão ela seria mais proveitosa para o povo?
Então, conclua você mesmo o que deve
fazer.
Folheto produzido
pelo Núcleo de Estudos Sociopolíticos da Arquidiocese de Belo Horizonte
em parceria com o Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião –
PUC Minas. Mais informações no site
www.pucminas.br/nesp, ou no
Vicariato para Ação Social e Política:(31)34224430