15/07/2008
Este é o
segundo de uma série de oito boletins que foram
produzidos pelo Núcleo de Estudos Sociopolíticos da Arquidiocese de
Belo Horizonte em parceria com o Programa de Pós-graduação em
Ciências da Religião da PUC de Minas Gerais.
Leia e divulgue!
Pode ser reproduzido e publicado livremente, desde que citada a
fonte.
Silvestre dos Santos Lima
Comissão de Comunicação do CNLB
PROJETO ELEIÇÕES 2008
BOLETIM no. 2
“Da janela da minha cidade, enxergo o mundo”
Carlos Drummond de Andrade
No boletim de fevereiro falamos sobre
a importância da participação de todos os cidadãos e cidadãs na
definição das políticas públicas. Muitas pessoas, porém, dizem “Que
diferença eu posso fazer, se o centro das decisões está tão longe de
nós? Será que minhas opiniões e reivindicações serão ouvidas no
Congresso, ou no Palácio do Planalto?” De fato, a grande imprensa
privilegia as notícias nacionais e sobre economia, dando a impressão de
que somente em Brasília são tomadas as decisões políticas. Mas aí reside
um engano. Também na nossa cidade são tomadas decisões importantes. Não
por acaso temos o conceito de “município”, que era o nome dado, na Roma
antiga, às cidades que tinham o privilégio de se governarem a si
próprias.
O artigo 29 da nossa Constituição
prevê que cada município deve ser regido por sua própria Lei Orgânica,
desde que respeite as Constituições Federal e Estadual.
Não poderia ser de outro jeito, pois é nos municípios que a gente mora,
trabalha, estuda, educa os filhos, faz compras, se diverte, busca
atendimento de saúde, coleta lixo e trata água e esgoto, precisa de
iluminação pública, transporte, segurança e todos os serviços
necessários à vida cotidiana. É o município que tem significado concreto
no dia-a-dia das pessoas. Quando saímos de casa e chegamos à rua,
sabemos que estamos em Minas e no Brasil, mas o que realmente sentimos é
a cidade ou a comunidade rural onde moramos.
Por
tudo isso, é na política de nosso município que começa a participação
cidadã. Isso não quer dizer somente votar, mas se interessar,
compreender e se posicionar no processo político local, inclusive
participando de uma campanha eleitoral ou de comitê contra a corrupção
eleitoral.
Pouco adianta reconhecer pela
fotografia os políticos da nossa cidade, se não sabemos a quais grupos
estão ligados, quais interesses representam ou quais têm sido suas lutas
políticas.
Começando de perto de nossa casa,
influenciaremos também na política nacional. Uma liderança municipal
pode projetar-se politicamente em âmbito estadual e federal, lutando por
nossos direitos e reivindicando em favor de nossas causas, de modo a
integrar as lutas municipais às grandes causas nacionais. As lideranças
locais que são fiéis às suas origens levam a voz de seus concidadãos até
os mais distantes centros de poder. Por isso se diz, com toda razão que
devemos “agir localmente e pensar globalmente”.
O MUNICÍPIO E O PLANETA
É isso! Agir no local onde vivemos é
participar em movimentos e associações de bairro, na comunidade, na
Igreja, em grupos de ação social, associações profissionais, sindicatos
ou partidos, mas tendo um horizonte muito mais amplo. Não dá para olhar
somente para os problemas da nossa comunidade, nosso bairro ou nosso
município. Afinal, vivemos um tempo de globalização e o que acontece no
outro lado do mundo pode ter consequências diretas em nossa vida. Basta
lembrar a questão ecológica.
Um dos maiores problemas do mundo de
hoje é o descuido com a ecologia. Seus sintomas são o aquecimento
global, a poluição das águas e do ar, a perda da biodiversidade, a
exaustão do petróleo, a acumulação do lixo na terra e no mar, a
desertificação e a perda da capacidade de auto-regeneração da vida.
Dentro de mais duas ou três décadas a Terra entrará em crise e sofrerá
muitas convulsões sociais, a menos que haja uma radical mudança na
estrutura produtiva e nos padrões de consumo da Humanidade. Por isso,
a agressão à natureza deve ser encarada como uma ameaça à Paz
mundial.
As medidas que poderiam corrigir esse
problema são barradas por empresas (para não diminuírem seus lucros),
por países como China, Índia, Rússia e Brasil (que querem crescer
rapidamente) e principalmente pelos Estados Unidos e outros países ricos
(para não diminuir o nível de consumo). Diante desses gigantes globais,
o movimento ecológico sente-se como o menino Davi diante de Golias: sua
arma é apenas a consciência planetária. Cada dia aumenta o número de
pessoas que buscam inovações como a economia solidária, preferem a
produção local (que evita o custo ambiental do transporte), e aceita
padrões de consumo mais simples para não prejudicar o meio-ambiente.
Essa consciência de que somos todos responsáveis pela vida do nosso
Planeta rejeita a idéia de um progresso material sem limites e resgata o
sentido da criação, pois:
“Deus tomou o homem e o colocou no Jardim do Édem, para que o cultivasse
e guardasse”. (Gn 2,15)
A VIDA DO PLANETA
Na Conferência de Aparecida, os
bispos católicos da América Latina e Caribe pronunciaram-se sobre esse
tema: “como profetas da vida, queremos insistir que nas intervenções
humanas sobre os recursos naturais não predominem os interesses de
grupos econômicos que arrasam irracionalmente as fontes de vida, em
prejuízo de nações inteiras e da própria humanidade. As gerações que nos
sucederem têm direito de receber um mundo habitável, e não um planeta
com ar contaminado, águas envenenadas e recursos naturais esgotados”.
Sintonizados com esse desafio,
voltemos para a realidade local: nosso município e nossa comunidade
são a base do processo das necessárias transformações sociais,
econômicas e políticas em escala mundial. Esse processo vai desde
pequenos, mas importantes gestos de respeito ao meio-ambiente – como não
desperdiçar água e energia e reciclar o lixo – até a definição e
execução de uma política ambiental de âmbito nacional, continental e
global. Mas uma política ambiental começa no município. Assim,
fica a pergunta:
• O que significa agir localmente e pensar globalmente para uma política
ambiental eficaz?
• Como você vai celebrar o Dia da água (22 de março) e do Meio-ambiente
(5 de junho)?
• O que isso tem a ver com uma eleição municipal?
Folheto produzido
pelo Núcleo de Estudos Sociopolíticos da Arquidiocese de Belo Horizonte
em parceria com o Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião –
PUC Minas. Mais informações no site
www.pucminas.br/nesp, ou no
Vicariato para Ação Social e Política:(31)34224430