23/12/2009
Congresso aprova proposta de
Orçamento para 2010
Em acordo de última hora, o Plenário do Congresso aprovou, na noite de
terça-feira (22), o Orçamento de 2010 no valor de R$ 1,86 trilhão.
Descontados os investimentos e as despesas com a dívida pública, serão
cerca de R$ 830 bilhões para os programas governamentais e
transferências a estados e municípios. A matéria será enviada à sanção
presidencial.
O acordo foi fechado cerca de meia
hora antes do final da última sessão em que o Orçamento poderia ser
votado neste ano. Uma das mudanças negociadas pelo governo e pela
oposição, no substitutivo do relator-geral, deputado Magela (PT-DF), foi
sobre o remanejamento de recursos do Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC).
O substitutivo autorizava o Executivo
a transferir 30% de todos os recursos do PAC entre as obras, mas esse
percentual foi reduzido para 25% dos recursos de cada obra.
Segundo a oposição, isso limitará um
possível uso eleitoral dos recursos do programa, que conta com R$ 29,9
bilhões dos R$ 151,9 bilhões orçados para o investimento público em 2010
(equivalente a 4,6% do PIB projetado de R$ 3,32 trilhões). Em 2009, o
governo foi autorizado a gastar R$ 27,9 bilhões no PAC.
As estatais responderão por 62% do
total de investimentos (R$ 94,4 bilhões, contra R$ 79,9 bilhões
autorizados para 2009). Dentro do orçamento fiscal e da seguridade, o
montante de investimentos será de R$ 57,5 bilhões - contra R$ 54,5
bilhões permitidos para este ano.
Emendas de bancada - A segunda
mudança acertada entre os líderes foi a transformação de todas as
emendas de investimento do relator-geral em emendas de bancada. A
distribuição será feita proporcionalmente às emendas já contempladas
antes do acordo.
Agricultura e saúde - Outras
negociações fechadas, ainda na discussão da matéria na Comissão Mista de
Orçamento, viabilizaram recursos adicionais de R$ 1,7 bilhão para o
Programa de Garantia de Preços Mínimos e de R$ 2,2 bilhões para ações de
média e alta complexidade em saúde.
O programa de garantia tem o objetivo
de assegurar os custos de setores produtivos agrícolas e, assim, não
comprometer a renda familiar em caso de oscilação dos preços no mercado.
O programa compensa as perdas dos produtores com concessão de bônus.
Salário - O texto aprovado
prevê um salário mínimo pouco maior que o enviado pelo governo. Ele
sairá dos atuais R$ 465 para R$ 510 no próximo ano - um reajuste nominal
de 9,7%.
O reajuste adicional proposto pelo
relator, em relação ao enviado pelo governo, vai elevar a despesa em
quase R$ 874 milhões - para cada real de aumento, o gasto orçamentário
sobe R$ 196,4 milhões.
O relator também reservou R$ 3,5
bilhões para o aumento real das aposentadorias e pensões dos 8,3 milhões
de beneficiários do INSS que ganham acima do mínimo. Entretanto, o
percentual de reajuste ainda não foi definido pelo governo.
A despesa com servidores públicos
(civis e militares, da ativa e inativos) soma R$ 183,7 bilhões, um
crescimento de R$ 691,6 milhões em relação ao texto original encaminhado
em agosto pelo Executivo. Em 2009 a dotação autorizada para gastos com
pessoal foi de R$ 169,1 bilhões.
Os detalhes das mudanças feitas na
última hora pelo relator-geral ainda não são conhecidos, pelos menos os
números finais. Nos próximos dias, os consultores de Orçamento da Câmara
e do Senado vão fazer as modificações oriundas do acordo, para envio da
proposta à sanção. Só aí será possível saber o tamanho exato do
orçamento federal para 2010, o volume das despesas primárias e dos
investimentos públicos.
Fonte: Agência Câmara