08/02/2010
Congresso vota terça-feira vetos
que liberaram obras da Petrobras
Duas refinarias da Petrobras, incluídas entre as obras com indícios de
irregularidades graves, fazem parte do PAC. Os vetos do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva à lei orçamentária (Lei 12.214/10) serão apreciados
em uma sessão conjunta do Congresso marcada para a terça-feira (9), às
19h. Os vetos retiraram quatro empreendimentos da Petrobras da lista de
obras com indícios de irregularidades graves encontrados em auditorias
do Tribunal de Contas da União (TCU).
Se os vetos caírem, as obras da
empresa petrolífera não poderão receber recursos até que os problemas
apontados pelo TCU sejam resolvidos. Entre as irregularidades citadas
estão sobrepreço, pagamento de equipamentos parados pelo mesmo valor dos
equipamentos em operação, ausência das planilhas de custos e obstrução à
fiscalização dos auditores.
A realização da sessão conjunta foi
definida na última quarta-feira (3), em reunião dos líderes partidários
na Câmara. No Senado, também houve um acordo partidário. A oposição
chegou a anunciar que só votaria os projetos do pré-sal remanescentes na
pauta após a análise dos vetos. Até a próxima terça-feira pela manhã a
mesa do Congresso deverá divulgar a pauta da sessão. Ainda não está
definido se outros vetos presidenciais serão apreciados pelos
parlamentares.
Histórico - O anexo 6 da lei
orçamentária contém 24 obras com suspeitas de irregularidades que
tiveram os repasses federais bloqueados. Destes empreendimentos, quatro
pertencem à Petrobras – a construção da refinaria Abreu e Lima, em
Pernambuco; a ampliação da refinaria presidente Getúlio Vargas, no
Paraná; a construção do terminal de escoamento de Barra do Riacho, no
Espírito Santo; e o complexo petroquímico do Rio de Janeiro. As duas
refinarias fazem parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
As irregularidades foram encontradas
em alguns contratos das obras, e não nos empreendimentos como um todo –
é comum, em obras de grande porte, a existência de dezenas de contratos.
Nesses casos, o bloqueio incide somente sobre os contratos irregulares.
Os demais continuam a ser tocados normalmente.
Motivos alegados - Na mensagem
de veto encaminhada ao Congresso, o presidente Lula apontou três razões
para manter a continuidade dos empreendimentos da Petrobras. Primeiro, a
paralisação das obras acarretaria o desaparecimento de 25 mil empregos,
além de custos mensais de R$ 268 milhões em equipamentos parados,
desmobilização de funcionários e manutenção do canteiro de construção.
Depois, os contratos incluídos no
anexo já estariam com 90% da execução física concluída, e a interrupção
geraria atraso no início da operação das unidades, com perda de receita
mensal estimada em R$ 577 milhões. Por fim, segundo a mensagem, o grupo
de trabalho criado pelo Congresso, com a participação de representantes
do TCU, do Ministério de Minas e Energia, da Casa Civil e da Petrobras,
já havia identificado a viabilidade de regularização das pendências
apontadas pelos auditores do tribunal.
Nova auditoria -
Independentemente da votação dos vetos, a lei orçamentária determinou ao
TCU que promova uma auditoria no sistema de custos da Petrobras. O
objetivo é entender como a empresa monta os preços das obras e serviços
contratados. A companhia alega que não pode seguir as tabelas oficiais
de custo porque as obras da indústria do petróleo tem especificidades
próprias. O resultado da fiscalização será remetido à Comissão Mista de
Orçamento.
A análise dos vetos pode, porém, não
encerrar a discussão desse assunto. Pelas regras orçamentárias, a
Comissão de Orçamento pode, a qualquer momento, votar um projeto de
decreto legislativo retirando, ou mantendo, obras do anexo 6 da lei
orçamentária, caso entenda que os problemas verificados pelo TCU não
foram resolvidos. A votação se dá em caráter terminativo, ou seja, não
precisa passar pelo Plenário do Congresso.
Fonte: Informativo Em Questão