03/07/2009
Brasil é a prova de que
diferentes culturas podem viver em harmonia, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta quinta-feira
projeto de lei que permite a regularização de estrangeiros que vivem
irregularmente no Brasil.
O objetivo é garantir a anistia de um
grupo de 40 mil a 50 mil pessoas, principalmente chineses e
latino-americanos, como argentinos, bolivianos e uruguaios. Organismos
que ajudam aos estrangeiros estimam que existam 200 mil deles em
situação irregular no País.
"Essas medidas significam que o
Brasil se coloca cada vez mais à altura da lógica migratória
contemporânea. Somos uma nação formada por imigrantes e que prova como
as diferenças culturais podem viver em harmonia", defendeu o presidente
ao assinar o projeto. "Não só somos um povo misturado como gostamos de
ser um povo misturado."
A nova lei prevê que os estrangeiros
que tiverem ingressado irregularmente no Brasil até 1º de fevereiro
deste ano possam requisitar residência provisória com validade de dois
anos. Noventa dias antes do término desse prazo, o imigrante poderá
solicitar junto às autoridades brasileiras sua residência permanente.
O pedido de residência provisória
poderá ser formalizado em até 180 dias a partir desta sexta-feira, mas
não vale nos casos de estrangeiro expulso ou que ofereça indícios de
periculosidade.
"Não podemos esquecer que a própria
Constituição Federal, quando trata dos direitos e garantias sociais,
estabelece que todos são iguais perante a lei, sejam brasileiros ou
estrangeiros (regulares). A migração irregular é uma questão humanitária
e não pode ser tratada como se fosse criminalidade", opinou o
presidente, aproveitando para condenar a política de "países ricos" de
repatriação de imigrantes ilegais.
"A repressão, discriminação e
intolerância não lidam com a raiz do problema. Ninguém deixa sua terra
natal porque quer, mas porque precisa ou porque acha que pode construir
uma vida mais digna", declarou. "Foi isso que aconteceu com a minha
família. Os países mais ricos devem ter um enfoque solidário na questão
da migração."
"É bom que a gente crie um mundo sem
fronteira ou com fronteira mais maleável. Que o ser humano seja olhado
pelo seu lado bom e não como coisa ruim quando atravessa uma fronteira",
disse Lula. "Temos que ser generosos com os seres humanos de qualquer
parte do mundo."
De acordo com o Ministério da
Justiça, após a regularização, o estrangeiro passará a ter direito de
livre circulação no território nacional, acesso a trabalho remunerado, à
educação, à saúde pública e à Justiça. Na última regularização de
estrangeiros feita pelo governo federal, em 1998, 39 mil cidadãos foram
anistiados.
Crise
Ao destacar a postura do Brasil de
integrar migrantes ilegais, o presidente Lula voltou a condenar a
postura de algumas nações que, diante da crise financeira mundial, vêm
rechaçando a população mais pobre do planeta.
Vestido com o que classificou de "um
pouco de Bolívia e um pouco de Paraguai", Lula disse que a anistia aos
estrangeiros irregulares "é mais um exemplo que o Brasil quer dar ao
mundo".
"No fundo a crise, se prejudica todo
mundo, certamente prejudicará os mais pobres. E a gente vê o que
acontece com brasileiros em países europeus", concluiu. "Nesse momento
que a América Latina está discutindo sua integração, de forma muito
incipiente, (discutindo sua) dívida com os africanos, acho que essa
oportunidade é para que possamos mexer com as consciências e corações
dos dirigentes do mundo inteiro."
Fonte: PT